:: Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018
A A A

Ano Polar Internacional 2007/2008

Ano Polar Internacional 2007/2008

O 4° Ano polar Internacional (API), programado para ocorrer entre março de 2007 e março de 2009, é organizado pelo Conselho Internacional de União Científica em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial (ICSU e WMO, siglas em inglês respectivamente). O objetivo é desenvolver pesquisas científicas interdisciplinares voltadas para o conhecimento dos processos ambientais nos pólos, as teleconexões destas regiões com o resto do planeta, a biodiversidade, estado evolutivo e capacidade adaptativa dos organismos antárticos.

Esse esforço envolve 63 nações e 227 projetos de alta qualidade, com investigações laboratoriais até 2011.

O ano de 2007 marca o 125° aniversário do 1° API (1882/1883), o 75° aniversário do 2° API (1932/1933) e o 50° aniversário do Ano Geofísico Internacional (1957/1958). Essas iniciativas científicas contribuíram de maneira significativa para o entendimento de processos globais e estimularam a cooperação científica internacional voltada para a pesquisa das regiões polares da Terra.


O Brasil no API

A comunidade científica brasileira terá a participação direta de pesquisadores de mais de 30 universidades públicas e privadas e de centros de pesquisa em 28 projetos. Para tanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) disponibilizou recursos da ordem de R$ 9,2 milhões provenientes de ações dos Fundos Setoriais, a serem empenhados em dois anos e repassados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento do Ministério.

O acompanhamento das atividades científicas pelo MCT será feito por meio da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped), cujo secretário é o coordenador do Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas (CONAPA).


A Importância das Pesquisas

A região antártica exerce profunda influência no clima global e, por consequência, nos ecossistemas e na sociedade. As pesquisas mundiais são focadas nas mudanças que estão ocorrendo nas regiões polares e na análise da sua importância ambiental econômica para o planeta. Esta região guarda 70% da água do mundo, rica biodiversidade que inclui espécies de organismos evolutivamente adaptadas às condições inóspitas e, provavelmente, os últimos supercampos de petróleo.

As geleiras antárticas contêm o registro de variações na composição da atmosfera terrestre que regridem a até um milhão de anos e mostram, claramente, o dramático aumento de gases do efeito estufa na atmosfera, a partir do início da era industrial, o que vem causando as mudanças globais do clima. Essa questão - bem como a constatação da destruição da camada de ozônio e o derretimento do gelo - trouxe a antártica para o cotidiano mundial.

Hoje, sabe-se que a Antártica é tão importante quanto a amazônia para o clima sul-americano, o que suscita uma maior conscientização pública da sua importância.

O Brasil é, em termos de distância geográfica, o sétimo país mais próximo da Antártica, sendo afetado diretamente pelos fenômenos que lá ocorrem. Mudanças na atmosferra, no gelo e, em particular, no oceano Austral, podem afetar a biodiversidade brasileira. alterando o equilíbrio dos ecossistemas, prejudicando a pesca e a produtividade agrícola, já que a circulação oceânica em nossa costa tem influência da corrente proveniente daquela região.

O entendimento e a previsão de fenômenos meteorológicos extremos, como o furacão Catarina, também passam pela compreensão das interações entre a atmosfera antártica e a América do Sul.

Projetos Relacionados

Estudo da Mesosfera, Estratosfera e Troposfera Antártica e suas conexões com a América do Sul (ATMANTAR)

Objetivos

O Projeto visa o estudo da alta, média e baixa atmosfera usando diferentes técnicas de medidas na região Antártica e América do Sul. Estes estudos até então estavam sendo realizados de forma isolada e buscando analisar fenômenos específicos de cada região.

Neste trabalho o foco será um estudo integrado para entender os processos de conexão entre as camadas e assim identificar fenômenos que se propagam e impactam toda a Atmosfera e com isto dar subsídios para o estudo de Mudanças Climáticas, atividades principais que serão realizadas:

1. medidas da aeroluminecência atmosférica na região de Ilha Rei George usando fotômetros de alta resolução;

2. medidas da temperatura da alta atmosfera (Mesosfera). Características dos eventos ondulatórios na mesosfera, através de imagens all-sky da aeroluminecência da hidroxila. Desenvolvimento de um sistema de calibração absoluta para aferição dos espectro-imageadores de temperatura desenvolvidos pelo INPE;

3. efeitos atmosféricos produzidos pela atividade solar, caracterizadas por mudanças rápidas da precipitação de elétrons na baixa ionosfera e variações da intensidade da radiação ultravioleta extrema ( EUV.) Esta atividade esta associada ao projeto SWIMPA, coordenado pela Dra. Emília Correia;

4. estudos da climatologia do Buraco de Ozônio, através de medidas de temperatura, pressão, ventos e umidade, com o objetivo de investigar a sua influência nos processos fotoquímicos e dinâmicos da baixa e da alta atmosfera, e também sua influência nas latitudes menores da América do Sul, como Sul do Chile, da Argentina e do Brasil;

5. medidas da concentração total da Camada de ozônio, sua variação temporal e especial e a correlação com a radiação UV, por instrumentos de superfície;

6. medidas do perfil da concentração do Ozônio com a altitude. Este estudo dará subsídios para acompanhar a região onde ocorre a destruição do ozônio na Estratosfera;

7. medidas de alguns gases minoritários como o CO, CO2 e O3, de superfície, para monitoramento de poluição ambiental produzida na região de Ferraz e gases ligados à química do ozônio, como o NO2 e SO2;

8. medidas dos gases do Efeito Estufa, para dar subsídios aos estudos de aquecimento global;

9. medida de aerossóis na região de Ferraz, em cooperação com o Peru;

10. manter o registro, coleta, processamento, divulgação e uso em trabalhos científicos de dados das atuais estações meteorológicas do Proantar na EACF e na Ilha Joinville, e fazer o mesmo na reativação das estações das Ilhas Biscoe e do Morro da Cruz/EACF;

11. continuar as análises e publicações descobrindo e descrevendo a interação da meteorologia e clima da região norte da Península Antártica com o sul da América do Sul;

12. estudos do impacto da variação da radiação UV na atmosfera e biosfera.


Metas Atingidas (período de 2007 a julho de 2009)

As atividades brasileiras estão sendo realizadas na Estação Comandante Ferraz, Ilha Rei George, em La Paz (Bolívia), Punta Arenas (Chile), Rio Gallegos (Argentina), com medidas da atmosfera neutra e ionizada por diferentes técnicas já em operação. A participação de outros paises como Austrália, Argentina, Equador, Inglaterra, Japão, Peru, Rússia e Uruguai com medidas em suas respectivas estações Antárticas e em latitudes menores, complementarão os estudos e permitirão um melhor entendimento da atmosfera Antártica e sua teleconexão com a América do Sul.

MEDIDAS DA IONOSFERA: monitoramento da da Atividade Solar para o Estudo do Impacto da Radiação e das partículas Energéticas na Atmosfera Polar;

MEDIDAS DA TEMPERATURA DA MESOSFERA E DE ONDAS PLANETÁRIAS: investigação Sistemática Sobre os Processos Fotoquímicos e Dinâmicos da Atmosfera Antártica no contexto das mudanças climáticas globais;

ESTUDOS DA CAMADA DE OZÔNIO E DA RADIAÇÃO UV: estudo da Climatologia da Camada de Ozônio e do Impacto da radiação UV no meio ambiente;

METEOROLOGIA: monitoramento Meteorológico da região da Ilha Rei George;


Metas

Nos anos de 2009 e 2010 as seguintes atividades deverão ser realizadas:

1. dar continuidade aos monitoramentos da ionosfera e atividade solar;

2. dar continuidade na campanha prevista para final de agosto em Rio Gallegos, sul da Argentina, para medir a coluna total do ozônio, do SO2 e do NO2. Estas medidas serão simultâneas com as obtidas em Punta Arenas, em Ferraz e em Santa Maria. O Objetivo é acompanhar a passagem do Buraco de Ozônio sobre a América do Sul e seus efeitos sobre a região sul do Brasil. A campanha de sondagem de ozônio em Punta Arenas, será realizada pela equipe do Laboratório de Ozônio da Universidad de Magallanes em Punta Arenas, Ferraz, para medir o perfil da concentração de ozônio com a altura e dados climatológicos da troposfera e estratosfera de Ferraz até a Península Antártica;

3. instalar o sistema de coleta de ar e filtros para o estudo de aerossóis, atividade que será realizada em Ferraz em cooperação com o Peru. A instrumentação será fornecida pelo Dr. Luiz Suares e a operação ficará sob a responsabilidade do projeto ATMANTAR . A previsão da instalação será verão de 2009 - 2010;

4. instalar um Radar Meteórico, uma cooperação entre pesquisadores da Divisão de Aeronomia do INPE e Dave Fritts da Colorado Research Associates, Colorado-EUA, propondo uma colaboração bi-lateral para a instalação em Comandante Ferraz de um radar meteórico do tipo SKiYMET de última geração. O custo da aquisição do equipamento, da sua instalação e manutenção seria oriundo de um projeto que está sendo submetido a 'National Science Foundation' (NSF), órgão financiador de pesquisas dos EUA; enquanto que o custo da operação do equipamento seria de responsabilidade dos técnicos e engenheiros do INPE. Previsão de instalação março de 2010.


Impacto do Clima Espacial na Atmosfera da Região Polar e sobre o Território Brasileiro

Objetivos

Este projeto tem como objetivo estudar as perturbações da alta atmosfera da Terra através de vários experimentos (VLF, GPS e detector de raios cósmicos) e identificar qual dos fenômenos solares que as produziram (se explosões, ejeções de massa coronal (EMC) e/ou vento solar de alta velocidade). Deste modo poderemos estabelecer a conexão entre as alterações do meio interplanetário e o clima terrestre.

Para avaliar os impactos do clima espacial na atmosfera da Terra o projeto estuda:

1. as perturbações detectadas na baixa ionosfera através sondagens feitas com sinais rádio de frequência muita baixa - VLF (EACF e sobre a América do Sul);

2. as perturbações na alta atmosfera através de medidas do conteúdo eletrônico total - CET (estações GPS na EACF e sobre o território brasileiro), sondagens com ionossonda CADI e riômetro na EACF e território brasileiro;

3. as variações no fluxo de raios cósmicos detectados na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (El Leoncito, Argentina);

4. a emissão rádio do Sol para caracterizar os fenômenos solares;

Este projeto conta com a participação dos pesquisadores doutores: Jean Pierre Raulin (UPM), José Henrique Fernandez (UNITAU), Edvaldo Simões da Fonseca Jr (PTR/USP), Pierre Kaufmann (UPM), Vladimir Salingereevich Makhmutov (Instituto de Física de Lebedev - LPI/Rússia), Hugo Levato (Instituto de Astronomia e Física do Espaço - IAFE/Argentina), Umran Inan (Universidade de Stanford - STAR/EUA). Técnicos: Armando Tatumi Hadano, Yasushi Rubens Hadano, Robinson Luiz Falsarella e Edson Bortolossi. Estudantes: Alexandre Rodel, Giselle Barreto e Maria Tereza Quevedo.

É um projeto multidisciplinar envolvendo as áreas de: Ciências da Atmosfera, Geociências e Física Solar, e envolve a participação de várias instituições nacionais (INPE, UPM, PTR/USP e IBGE) e internacionais (LPI/Rússia, IAFE/Argentina e STAR/EUA). Além de colaborações com: Japão, Chile, Itália e China.


Metas Atingidas (período de 2007 a julho de 2009)

1. aquisição e instalação de equipamentos;

2. monitoramento da ionosfera;

3. monitoramento da atividade solar e heliosfera.